
Qualquer internauta com um mínimo de domínio em conhecimentos gerais, que não usa a REDE somente para sites de relacionamentos ou de conteúdo erótico, já se deparou com a frase que se apresenta como o título acima. Porém, para os desavisados este foi o mote principal da campanha presidencial vitoriosa deste ano nos EUA. A equipe de marketing responsável pela condução da campanha sabia que precisava de uma frase de impacto que representasse mudança. E mudança foi a ênfase nestas eleições. E isso não somente porque o país caminhava a passos largos a uma recessão que naturalmente e devido ao fato de ser disparado a principal potência mundial, levaria todo o planeta junto. Não somente também porque a população americana já tivesse saturada com tantos conflitos belicistas provocados pelo governo Bush, conflitos estes poucos compreendidos pela população. E por fim, não somente porque uma onda de consciência ecológica que se formou na grande maioria dos homens, entrassem em atrito contra os desmandos protecionistas do atual governo. Os marketeiros tinham uma tarefa duríssima e até pouco mais de um ano atrás, praticamente impensável de se tornar realidade, que era levar para se sentar na cadeira mais importante situada no salão oval da mais conhecida casa do mundo, um jovem sem um passado político de expressão e que não era pertencente a nenhuma família tradicional do país. Um jovem que não teve sua juventude tão diferente dos demais de sua geração e que não participou de nenhuma guerra para ser considerado um herói. Um jovem que, como tantos outros, usou e abusou das descontentações e contestações próprias da idade, inclusive cometendo pequenos atos considerados ilícitos pelas autoridades, como 'puxar um baseado', que até pouquíssimo tempo atrás seria motivo de desabilita-lo sumariamente de postular um cargo tão importante. Eles precisavam apresentar uma campanha que fosse capaz de provar ao povo americano que esse jovem poderia estar lá, mesmo que não possuísse em sua biografia nada do que era inconscientemente exigido para ocupar tal cadeira, e que também tinha, na cor de sua pele o principal motivo para jamais poder se sentar nela.
Foram vitoriosos em suas projeções e na determinação de levar adiante a bandeira de uma campanha fadada ao insusesso, como o reverendo e ativista defensor dos direitos dos negros Jesse Jackson já provou em outras épocas. Yes, we can change! foi a mais sensacional campanha promocional já orquestrada no planeta. Que atingiu em cheio seu público alvo, que eram as minorias e os jovens americanos. Foi tão espetacular que alcançou também uma parte da população que jamais se enquadraria no perfil almejado, que foi os brancos de idade mais avançada, eleitores estes que foram fundamentais na conquista da eleição. Seria interessante começar aqui uma campanha para dar aos responsáveis pela eleição de Obama o Globes Awards, que é o maior prêmio de marketing mundial.
O 'Presidente Negro', como será conhecido pela História, pode não ser tão inimaginável num país como o Brasil, que tem nas estatísticas uma população negra em muito maior número que nos EUA. Mas para um país que além de ter uma população negra muito inferior à maioria branca, tinha, há pouquíssimas décadas atrás, um regime onde a segregação racial fosse amparada e oficializada através de leis, onde nem mesmo nos templos cristãos fosse possível a miscigenação. E a estratégia da campanha idealizada pelos marketeiros tinha como objetivo principal mudar esse dogma. E eles conseguiram.





Nenhum comentário:
Postar um comentário